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Os valores ocultos das grifes (artigo reproduzido do JBONLINE - http://jbonline.terra.com.br/sitehtml/papel/economia/papel/2008/06/08/economia20080608007.html Sem pestanejar, clientes pagam o design, o marketing, o sonho e o desejo Cláudia Dantas Manter o guarda-roupa na moda custa caro. Mais ainda quando se pensa que as roupas, ao receberem a etiqueta da grife, chegam a custar entre 10 e 20 vezes mais do que um produto comum. Mesmo assim, isto não é um limitador do consumo. Ao contrário, a fidelidade a uma marca tem contribuído para o crescimento da cadeia têxtil no país, que, só no ano passado, movimentou US$ 34 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). A cadeia têxtil brasileira, que engloba empresas envolvidas no processo desde a fabricação de fibras naturais, artificiais e sintéticas até fiações, tecelagens, malharias e confecções, também chegou a exportar US$ 2,2 bilhões, quase 7% do valor total movimentado em 2007.
No segmento moda de grife, no entanto, o resultado das exportações brasileiras ainda é muito tímido em relação aos outros países. Representa apenas 0,5% da participação mundial, de acordo com a Abit. Debruçadas nas estatísticas e de olho em um mercado consumidor gigante é que as grifes famosas têm direcionado esforços para sempre trazer novidades e satisfazer o desejo apurado de clientes exigentes, que costumam pagar qualquer preço pelo objeto que procuram. Segundo Sebastião Raphael, professor da escola de moda do Senai/Cetiqt, esse segmento precisou adaptar-se à movimentação do mercado. – Hoje, existem dois conceitos: o exclusivo e o fast fashion – cita. Exclusividade é a filosofia de grifes internacionais como Louis Vuitton, Gucci, Prada e marcas brasileiras como Fórum, Maria Bonita, Rosa Chá e Carmen Steffens, que privilegiam a personalização. O preço final embute o custo dessa política que faz a diferença para clientes exigentes. – É bastante próximo da alta costura – explica o professor. – O cliente paga pelo design, pelo marketing, pelo custo do espaço físico, da cenografia da loja, paga pelo sonho e pelo desejo de consumir a marca. Por exemplo, o custo de produção de um blazer de microfibra não passa de R$ 50, seja para uma pequena confecção ou para as grandes marcas, mas pode chegar no ponto de venda com preço até 10 vezes maior, dependendo da grife e da sofisticação do produto. O diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel, concorda e dá como exemplo a calça jeans básica, que custa R$ 30, porém, quando chega às araras, pode ostentar preços acima de R$ 500. Além disso, o executivo ressalta a carga tributária que incide sobre o produto pronto e representa de 34% a 40% no preço final. – O setor é bastante democrático – acredita Pimentel. – Mas o que estimula o desejo está aliado ao fato de o produto ter qualidade. ‘Fast fashion’ Em relação ao outro conceito pesquisado pelo professor do Senai/Cetiqt, o fast fashion exigiu que a indústria da moda confeccionasse modelos com maior velocidade aliada à alta tecnologia. Segundo Sebastião, o consumidor, por vezes, mistura o desejo por peças exclusivas ao guarda-roupa moderno, leve e prático. Por isso, as lojas de departamento Zara, C&A e Renner conquistaram espaço com os que desejam mesclar as duas vertentes. A renovação constante de coleções nessas lojas faz com que o cliente tenha a sensação de exclusividade sob a chancela de uma grife mais acessível. Com esta estratégia, as três juntas faturaram, no ano passado, algo perto de R$ 48 bilhões no Brasil. A confecção Riachuelo, que tem mais de 100 pontos de venda no Brasil e costura para várias marcas, faturou em torno de R$ 108 milhões. – Antes, os lançamentos de coleções estavam restritos a duas vezes por ano, hoje as grifes chegam a fazer até 10 minilançamentos nesse período – destaca Sebastião. O fato é que o ranking das 100 melhores marcas mundiais (ver quadro ao lado, extraído da Business Week) não pára de arrecadar bilhões de dólares com o crescente número de adeptos do sonho de consumir produtos com grife. [ 08/06/2008 ] 02:01 |